Maria
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Textos
Lombo da Madrugada
abri a janela, permitindo que o vento e o frio se espalhassem pelo meu corpo...

senti um peso horrível na alma tão atribulada por tantas ninharias do cotidiano...

a luz fraca da rua atravessava as gôtas de chuva que escorriam pelo vidro da janela...

essa luz era a única iluminação da sala imensa e vazia... só tomada de mim, na madrugada friorenta e insônia.

encolhi-me na poltrona abraçando as pernas. encostei a cabeça nos joelhos e fiquei ali, em silêncio, inclinada sobre meus pensamentos que varavam mundos, por uma infinidade de horas...

mesmo sendo madrugada ouvia o barulho dos automóveis no pé da montanha de cristal...

o barulho me angustia, traz a presença da realidade... me faz lembrar que o mundo é uma grande festa...

mas eu... eu conheço as minhas limitações, minhas fraquezas...

minha timidez em viver seus trilhos me afasta dele...

prefiro o silêncio do recôndito da alma...

prefiro o silêncio que cria uma imensidão de caminhos dentro de mim...

caminhos que não exito em percorrer...

enfim, acordo do torpor do pensar... deixa os pensamentos para amanhã.

não existem artifícios que impeçam o sol de nascer... mas... mas... agora, é madrugada... e... ainda chove...
Maria
Enviado por Maria em 05/02/2011
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