Maria
Prosa e Poesia
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Hoje eu queria te dar um abraço...

Hoje eu queria te dar um abraço. Aquele que eu te dava e depois você me deitava em teu colo e ficava passando a mão no meu cabelo, enquanto eu falava horas sem fim sobre a vida, as coisas deste mundo e até da sonhada eternidade. Quantas vezes chorei em teus braços e você me consolava e empurrava pra frente.

Quando lembro desses momentos, recordo até teu cheiro, o som de paz da tua voz, o translúcido do azul dos teus olhos. Eu me perdia dentro deles, e tinha tanto medo por não saber o que eles falavam quando você sentava na cadeira e ficava eternidades olhando para algum ponto em algum lugar do céu ou da terra. Naquele tempo você ainda podia ver e eu ainda não sabia a preciosidade que eram momentos como aquele.

Quantas vezes, num repente, te arrancava de tuas divagações com alguma pergunta, com algum comentário. Era assim que eu trazia você de volta pra mim. E meu coração se acalmava pois eu sabia: agora você estava aqui, comigo.

Hoje queria te dar um abraço. Como aquele que você me dava quando eu chegava depois de um longo tempo distante. Eu lembro como teus braços me estreitavam forte enquanto eu chorava cada vez... cada vez... pela saudade sentida... como choro agora...

E você me enchia de beijos e carinhava a face, tão suave... que ainda posso sentir o plumar de teus dedos por minhas sardas, ou teu toque doce em minhas mãos sempre carentes de teus afagos.

E depois ríamos tanto de minha “pele de jacaré” das mãos e braços - herança do pai – e você me consolava dizendo que minha pele grossa e firme era “forte” e minhas digitais sempre bem salientes eram “feitas com o velho formão de esculpir pedras do pai”.

Hoje eu queria te dar um abraço. Como quando eu te puxava pra sentar em meu colo na cadeira de balanço, e você tinha medo de cair e ganhava tonturas, porque já não conseguia enxergar mais nada.

E quantas vezes, eu ficava horas te observando, te olhando no profundo dos olhos, e você não sabia, porque não podia me ver. E eu tinha a impressão de que ia sumir dentro deles, mergulhando no azul cristalino que eu sempre quis ter.

Hoje eu queria te dar um abraço. E choro muito por isso. Porque eu queria muito te dar um abraço...

Meus braços doem com o vazio. Como seria bom se você estivesse aqui. Então eu poderia te falar novamente do meu amor e do quanto eu sempre quis ser como você...

Mas hoje, eu só posso falar da saudade que você deixou ao partir para sempre... e do quanto eu queria, hoje, te dar um abraço... mãe querida...
Maria
Enviado por Maria em 26/07/2015
Alterado em 11/08/2015
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