Maria
Prosa e Poesia
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Quando eu perdi a fé em estátuas
Eu devia ter uns sete ou oito anos. Morava ao lado de um seminário de padres e da igreja católica da cidade.

Éramos muito religiosos. Quando era tempo de tempestades o pai nos colocava embaixo da mesa com uma estátua de "Nossa Senhora Aparecida", velas e palmas secas que haviam sido benzidas no domingo de ramos. Ajoelhados, rezávamos a "Ave Maria" e queimávamos as palmas no fogo das velas, pedindo por proteção na tempestade. Éramos fiéis nos confessionários e frequentes nas missas e festas da igreja.

Certo dia, vândalos invadiram a igreja e quebraram a mão da estátua de "Nossa Senhora do Caravaggio".

Meu pai era tumuleiro (fazia as lápides para os cemitérios e, com um cinzel, escrevia os nomes dos mortos sobre elas). Também fazia estátuas de anjos e flores para enfeitar a última morada dos falecidos. Por esse motivo, foi convidado para consertar a mão quebrada da santa.

Marcado o dia, o pai decidiu levar a mim e a meus irmãos para assistir seu trabalho.

E foi observando o que ele fazia que me ocorreu algo que ele não previra: comecei a suspeitar que havia alguma coisa errada. A mão quebrada jazia em cacos no chão. Na estátua, apenas um toco de braço. O pai recolhia os cacos para o trabalho de montagem. Eu não conseguia entender... por que ele tinha de fazer aquilo???

Para mim, a santa deveria se colar sozinha...  
Maria
Enviado por Maria em 08/08/2017
Alterado em 09/08/2017
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