Maria
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Tua Criança Sempre Ser
Mãe em teus braços eu quero tua criança sempre ser. Esse é meu pedido mãe, neste dia de festa dedicado à você. Que saudade sinto de você. Do azul transparente dos seus olhos que trocaria pelos verdes meus, da tua pele amorenada que eu sempre quis igual. Teus negros cabelos cacheados onde mergulhava a carinha cheia de sardas e cabelos, na época, cor de fogo. E quantas vezes chorei por ser assim, rão diferente de sua cor e seu jeito de ser. Queria tanto ser um anjo moreno por quem o pai se apaixonou. E você me consolava mãezinha mostrando um quadro na parede onde um anjo loiro, de enormes asas protegia duas lindas criancinhas que atravessavam uma ponte sobre um rio muito violento. Todas as noites olhava o quadro e pedia: "Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, me guarda, lumina, amém". Hoje já não falo mais com o anjo, mãe. Mas, descobri que posso chegar, assim como sou, do jeito que sou, com quem sou, direto no próprio Pai, E ele me ouve, me guarda, lumina. E mãe, falando ainda de teus cabelos, quando era pequenininha, achava teus cabelos negros tão longos e pensava que podia me pendurar neles prá balançar em traquinagens de alegria. E quando me pedia prá fazer tuas tranças me sentia a menina mais feliz do mundo. Me sentia importante. me sentia você, mãe, à fazer as minhas, antes de eu ir para a escola. Lembro quando você costurava prá mim lindas bonecas de pano e quando, de lenço na cabeça, amassava o pão de trigo ou de milho, para assar no forno de tijolos lá do fundo do quintal. O cheirinho do pão assado era tão bom, tão gostoso que posso senti-lo ainda no ar mesmo passados quase 600 anos. E agora ao lembrar mãe, os olhos enchem de lágrimas só em imaginar, só em pensar da importância e beleza daquele momento prá minha vida de criança. Lembro de você mãezinha lavando a roupa na pedra do rio. Era lindo esse momento, mas hoje quando lembro, mãe, como devia ser sofrido. Quem pode saber quantas dores e sofrimentos você passou? E quando você ia buscar água num balde de alumínio tão brilhante lá na vertente da beira da mata. Era tão fresquinha essa água, tão deliciosa que até hoje sinto seu sabor e frescor. E hoje, mãe, a gente, tem tudo na mão e às vezes nem dá valor. Eu ia beber a água do balde de alumínio que ficava sobre um banco de madeira na cozinha. Lembra quando fui com minha caneca direto na vertente mãe? Lembra que caí dentro dela e você me salvou me puxando pelo meu vestido de chita?  Mãe querida, quantas vezes me perguntei porque você, de vez em quando ficava quieta, sentadinha na varanda e seus olhos pareciam olhar o vazio, olhar o nada, tão contemplativos. Ficava imaginando o que você pensava se estava triste,  se era eu a causa desse silêncio. Tinha medo desses momentos. Em meu interior achava que algo muito importante iria acontecer, e tinha medo. Medo de tanto não poder ver o que se passava dentro de ti. Hoje mãe, faço a mesma coisa. Fico lá por horas, quietinha, encolhidinha em mim, contemplativa em completo silêncio. E é tão bom. Sinto a vida fluir dentro de mim em meu sangue. Em meu espírito, e explodir em luzes de alegria. Hoje compreendo você, não era tristeza mãezinha, era só tua alma que se elevava às alturas dos céus navegando serena ror entre as estrelas  como uma delas, para falar com Deus sobre mim, e agora eu, sobre meu filho, o neto teu...

Maria
Enviado por Maria em 11/05/2014
Alterado em 11/05/2014
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