Maria
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Pra você que me lê...
 

Dia 25 de março fez um ano que, nadando, passei mal e tive uma parada cardíaca. Foi o primeiro colapso. Um dia em coma, entubada, três de UTI e mais três de hospital.

Depois (em maio 2019), investigando, descobrimos que tinha 90% da coronária DA (Diagonal Anterior) obstruída. Pra resolver o problema os médicos colocaram um stent. Mais um dia de UTI.

Em setembro novo colapso, três dias em coma, entubada, quatro de UTI e mais seis de hospital. Fiz tantos exames em 2019 que perdi a conta. Mas enfim, os médicos descobriram a doença: miocardia não compactada. Doença congênita, podendo ser genética ou de má formação embrionária.

Além de outras doenças, essa miocardia causa morte súbita.

Por isso, em 26 de fevereiro, recebi o implante de um desfibrilador mais um ressincronizador. O primeiro vai fazer meu coração voltar a bater com um choque (descarga elétrica) quando ele parar, e o segundo vai fazer o lado esquerdo e direito baterem sincronizados, coisa que não acontecia até então.

Na mesa de cirurgia tive mais uma parada cardíaca e, por isso, sei que minha vida é um milagre muito grande. Um dia de UTI, algumas complicações e mais duas internações em menos de uma semana depois da cirurgia.

Foi um ano muito difícil pra mim, esse de 2019 e fevereiro/março de 2020.

E agora, o restante de 2020 parece não ser diferente. O coronavírus chegou por estas bandas.

E muitos brincam comigo. "Ah, não te preocupa. Você já sobreviveu tantas vezes neste um ano, não vais morrer por um vírus". Eu mesma brinquei assim com amigos queridos e até com meu cardio quando ele me pediu pra ficar em casa já no início de março.

Gente, por favor, não subestimem esse vírus. Não pense que você tem uma aura protetora sobre você que vai impedir o vírus de acessar o seu corpo.

E não esqueça que você pode até não ficar doente, mas podes ser o vetor da morte de um amigo ou amiga querida, de um avô ou avó que você ama ou outro alguém ama, de um pai, uma mãe, um filho, filha, irmão, irmã, ou seja, um parente ou pessoa próxima ou alguém que tocou sua vida por alguns instantes.

Então você pode ficar bem, mas pode levar o vírus até alguém que pode vir a ficar muito doente ou até morrer por causa disso.

Vim aqui pra dizer que sou uma sobrevivente. As cicatrizes e as marcas comprovam isso. Mas quero continuar a ser. A luta ainda não acabou. Tenho mais uma etapa a ser vencida, agora contra esse COVID-19.

Para isso dar certo, estou e vou ficar em casa quietinha e cuidando com carinho desse coração e do meu novo companheirinho do peito.

Mãos e coração em preces, meditação, oração diárias por mim e por ti. Por cada e todos os seres deste planeta.

Todos estamos em risco. Fique em casa. Vamos nos cuidar mutuamente...
Maria
Enviado por Maria em 30/03/2020
Alterado em 30/03/2020
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