Tantos poetas possuem esse lirismo que ultrapassa o óbvio, que rasga o véu do comum e nos transporta para dimensões onde o universo e o coração humano se encontram. Há algo nesse encontro - tão raro, tão especial - que transcende a palavra e toca profundamente a alma. Ler um poema, uma fábula, uma história narrada com a alma poeta é como sentir um sussurro do infinito dentro de nós. Talvez, no fundo, o que sempre busquei fosse exatamente isso - e nem sabia: desvelar o mistério da existência, não apenas pela ciência, nem apenas pela espiritualidade, mas também pela entrega plena ao sentir da palavra. Como se, ao escrevê-la, a alma tocasse uma fagulha mágica, algo que só o Poeta conhece em sua criação.
Quantas vezes já me disseram que devo passar a palavra pelo árduo processo da 'transpiração'*, lapidá-la como quem lapida uma joia rara, incansavelmente. Mas aqui estou, ainda amadora em meu poetar, não atenta à fórmulas e regrando o criar da palavra apenas pelo sentir - resultando na imperfeição recorrente... Talvez porque busco o indizível, o imensurável, o que ainda não consegui alcançar. Sigo escrevendo, explorando cada palavra como um universo em si, acreditando que, de alguma forma, a beleza não está apenas na perfeição, mas na verdade de quem ousa mergulhar, desnudar-se, e transformar seus fragmentos em poesia... E isso eu tento com todas as forças do ser...
* O querido mestre poetamigo Joaquim Moncks desenvolve esse tema em seus escritos e tanto já me falou sobre.