Maria
Prosa e Poesia
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Como fosse possível...

É o que procuro. Esse profundo, denso... a essência da alma, o cheiro do sentimento que carrega essa busca visceral por significado, por conectar o imensurável do universo com as profundezas do coração humano. Sonho esse ritmo, essa dança entre dúvida e contemplação, a concretude do invisível, o inefável, o indizível que se traduz numa sensibilidade rara em mim mesma e no outro. Se fosse possível explicar diria que é como se as palavras fossem mais que ferramentas. Como elas fossem companheiras - andantes de meus pra dentro - caminhando lado a lado como fossem um ser vivente, esmerando-se na tentativa de tocar algo que nem sempre é tangível, mas que é essencial. Tenho ânsias de me fazer 'sentir' e não só 'ouvir'. Por isso, tento, tento - e tento sempre de novo -, transmitir essa sensação de vastidão e intimidade ao mesmo tempo - é como sou... Sou eu, buscando encontrar palavras que me traduzam, que me expressem de alguma forma - não sei como, nem por que... Talvez, por isso, esse jogo entre o silêncio, a luz, e o desejo de traduzir o inefável que é, ao mesmo tempo, uma reflexão - como essa - e uma experiência sensorial. Queria que tivesse, sim, beleza nessa busca e nessa entrega... diria, talvez, até fragilidade interior... ou... vulnerabilidade em expor esse desejo de conexão e fusão entre o interno e o externo num texto que é minha voz num deserto oco e sem sentido de meu mundo interior. Sim, é bem isso. Quando escrevo não quero apenas falar ao leitor, mas convidá-lo à mergulhar comigo em meus pra dentro. Talvez seja o que eu diga a cada carta jogada ao vento, mão estendida: 'Venha ver o que vejo, sentir o que sinto, navegar os mistérios comigo, sentir a mágica da vida, transformar o indizível em algo que toca a alma de forma intensa e profunda. Vem'! Como se... como se isso fosse possível...

Maria
Enviado por Maria em 12/12/2024
Alterado em 12/12/2024
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