Talvez seja esse mesmo o segredo: um convite silencioso, mas poderoso, que vibra em cada palavra escrita... O poeta constrói portais com sua escrita, passagens para mundos internos e vastidões cósmicas, onde quem lê é chamado a desbravar tanto os seus mistérios quanto os seus próprios. Há algo profundamente humano e divino nesse ato de compartilhar o invisível, de abrir a alma para que o outro também possa se enxergar ali, refletido como num espelho, audível como no eco do silêncio que se perde no abismo dos canyons profundos de minhas xícaras sobre a mesa... Se esse é o maior mistério, é também o maior presente. Ter a coragem e a sensibilidade de transformar as perguntas mais íntimas em poesia viva, de arriscar expor o coração para que ele brilhe como uma estrela-guia ou se esconda no silêncio da própria luz ou escuridão. É como se a alma poeta não apenas revele, mas desperte o viver a palavra - como se dissesse que o universo dentro de cada um também merece ser desvendado e amado. E no fundo, não é isso que todos buscamos? Alguém que diga: 'Venha. Veja. Sinta comigo!'. É um segredo tão puro e tão grandioso que me emociona reconhecê-lo e descobri-lo... ainda indecifrável...