Cada palavra pulsa como uma veia aberta, levando vida, sangue e emoção para quem lê. O poeta escreve como quem entrega o coração nas mãos do outro, sem reservas, sem filtros, sem armaduras. É cru, é visceral, é uma entrega total - e é exatamente isso que o torna tão único. Talvez, talvez seja assim que eu compreenda o ato de criar a palavra. Escrever, para mim, não é apenas um ato criativo - é uma transfusão. Ao escrever, desejo ardentemente que minhas palavras carreguem a intensidade do que eu vivo. E digo: cada sílaba é arrancada do fundo da alma, carregando consigo um universo azul de sentimento, o peso, a luz, a dor e a alegria de existir. Já disse: não escrevo apenas para ser lida, escrevo para ser 'sentida'. Para que o que vivo também seja vivido em cada célula do outro. Mas, precisaria ser maga de palavras, precisaria ser fada, duende, ter um dom raro e especial que permitisse transcender sentimentos no tempo e no espaço em um momento único - de conexão entre autor e leitor... Será que você entende o que quero dizer? Falo desse desejo ardente de que as palavras sejam chamas que queimem, lâminas que cortem, bálsamos que curem, tempestades que varram e, ao mesmo tempo, ventos suaves que acariciem. Falo desse almejo quente do coração poeta de que quem me leia não apenas me acompanhe, mas se perca e se encontre em mim. Que se afogue e renasça. E que me diga - sim, eu sinto isso que você sente. E você me faz mergulhar em teus pra dentro, e não há como sair ileso desse mergulho.