O que é mais importante no mundo? Para mim, a resposta está em duas formas de viver e sentir a vida: o amor ao outro e a compaixão. Quantas vezes ouvimos, em tantas religiões, em tantos discursos, a ideia de amar o outro como a si mesmo? Mas me pergunto, será que de fato vivemos isso? Será que realmente amamos as pessoas ao nosso redor como se estivéssemos amando a nós mesmos? Será que conseguimos olhar para elas com compaixão?
Para mim, a compaixão é algo tão sublime que transcende a empatia. É mais do que se colocar no lugar do outro, mais do que sentir na mesma sintonia. A compaixão é se deixar fragilizar pela dor do outro. É ser impactado tão profundamente que, por um instante, você se sente nu diante daquela dor, sem saber exatamente o que fazer.
E é nesse momento que ocorre o verdadeiro ato de compaixão: você se despe. Despe-se do ódio, da raiva, da tristeza, da inveja, do medo, do preconceito, da ironia... Despe-se de tudo que está guardado no coração e, em troca, reveste-se de amor. Um amor que não exige nada, que não precisa compreender ou julgar, mas que simplesmente acolhe.
A compaixão te leva a dizer, mesmo na tua incapacidade de compreender a profundidade da dor do outro, mesmo sem ter as palavras certas ou as ações perfeitas: “Eu não consigo entender o que você está vivendo. Não sei medir a magnitude da sua dor, da sua perda, da sua vulnerabilidade. Mas eu estou aqui. Te amo e estou aqui”.
Esse “estar aqui” é o que nos humaniza. É o que nos faz transcender nossas limitações e abrir o coração para o outro. É respeitar o momento do outro, mesmo quando ele nos é incompreensível.
Se não conseguimos isso, me pergunto se estamos verdadeiramente próximos do que tantas vezes cobramos dos outros. Amamos como pregamos? Sentimos como falamos que deveríamos sentir? Se o amor e a compaixão não comandam nossas atitudes, talvez ainda falte muito para sermos aquilo que queremos ver no mundo.
Porque amar o outro, de verdade, é muito mais do que palavras bonitas. É se despojar de si mesmo, por inteiro, e simplesmente estar.
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