Talvez seja isso:
a chama viva da essência humana,
um tecido invisível que veste a alma,
feito de memórias, dores e amores,
de tudo que nos construiu
e moldou as arestas que antes feriam.
Somos feitos do que vivemos,
do que nos preencheu e do que nos faltou.
Cada lágrima caída
é o peso e a leveza do que importou,
do que nos marcou tanto
a ponto de deixar rastros,
ecos que vibram em nosso silêncio.
Não sofra porque o passado ainda vive.
Acolha-o como quem recebe um velho amigo,
que traz histórias difíceis,
mas também lições que ninguém mais ensinaria.
Ressignifique cada instante,
não para apagar o que foi,
mas para dar novo fôlego ao que é.
Permita que a saudade
seja uma poesia silenciosa,
e que a dor se torne um ponto de partida,
um degrau para o hoje,
que clama por ser vivido.
Se ainda há lágrimas,
seque-as com o bálsamo do amor.
Se ainda há dor,
transforme-a em força,
em combustível para seguir.
Porque é no presente
que as memórias encontram sentido,
é no agora que fazemos o passado
não um peso,
mas um alicerce para o futuro
que nos espera com braços abertos.