Não sei se refaço memórias ou se me perco nelas,
mas a solidão se adensa, se espalha, se agiganta,
como se ao tocar lembranças, o vazio...
sussurrasse seu nome nos cantos da noite silente.
A ausência do toque é o limite do inalcançável,
um horizonte sempre além, sempre distante,
onde meus dedos tentam bordar estrelas
nas frestas escuras do tempo esquecido.
Beiro a introspecção, sou sombra e sou luz,
prisioneira dos ecos do que foi,
dos desejos que nunca amanheceram,
mas que ainda brilham, que ainda clamam
no abismo dos olhos que se perdem na distância.
E, no entanto, há um outro brilho,
suave como um sussurro do vento,
insistente como um coração que pulsa
mesmo sem mãos que o segurem.
Talvez amar seja isso:
ser um verso solto na eternidade,
um lume que arde,
mesmo sem promessa de aurora.