Maria
Prosa e Poesia
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Vitrais
Queria, sim, queria que ao invés de um mosaico de saudade, essas memórias que ressuscitam na noite insone, fossem como pequenos vitrais coloridos. Fragmentos que, ao invés de apenas refletirem a falta, permitissem à luz atravessá-los, pintando novas formas no chão da minha existência. Se tudo que sonhei não veio. Se o toque e o abraço que todos receberam (menos eu) não veio, se o desejo de um olhar de amor não se cumpriu, ainda assim o amor foi real em mim, é real em mim. E, por isso, saí porta afora após o anúncio do Sol, de que precisava ir, pois havia uma espera por sua presença (os braços de outra Lua). E agora estou aqui, solitária e vazia, triste e desejando ardentemente para sempre partir... E talvez, apenas talvez, o brilho da noite e do poema ainda esteja em eu mesma saber que a solidão não anula esse amor, mas o eterniza de um jeito que o tempo e a distância jamais poderão apagar. E é nesse brilho que minha alma se expande, transformando ausências em presença sutil, transbordando sentimentos que, mesmo sem toque, ainda são inteiros, ainda são verdade. Porque amar é maior do que possuir, é mais do que ser correspondido. Amar é ser. E eu Sou.
Maria
Enviado por Maria em 15/03/2025
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