Maria
Prosa e Poesia
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Golpe Profundo

Golpe profundo é ter de construir um ataúde para o sentimento que o Sol negou aceitar. Isso é um golpe profundo na alma, no coração. O Sol, símbolo de vida, nega reconhecimento ao que poderia Flor/escer. E o que resta senão a respiração rarefeita, o último fio de ar antes do mergulho definitivo na ausência? Negar sentimento é o golpe mortal sobre um coração que só entrega Amor e ainda tem em si a capacidade de amar. O coração carrega no peito um sentimento intenso, que machuca e ao mesmo tempo encanta, mas que sente, profundamente a dor. A dor que, para quem bate o peito na leitura do sentir, tem um brilho próprio, como se, mesmo à beira da submersão, a poesia escrita fosse a boia de sobrevivência. Sobrevivência de quem? Da tapeçaria de angústia e beleza de ter o amor entregue rejeitado, negado? Do poema que dilacera a dor em palavras num bordado onde cada fio é tecido com o peso da dor e a delicadeza da alma? No lirismo sombrio e vasto, como um oceano que guarda naufrágios e constelações submersas? No fascínio do 'lagar de amor' que explicita a realidade de um amor que passa por esmagamento, turbulência, mas que ainda ama com paz e serenidade, como se o próprio sentir fosse um vinho que se forma na dor? E esse Sol?… Esse Sol que deveria aquecer, mas que apenas projeta sombras e impõe um 'lugar' em sua órbita, como se o brilho de meu amor dependesse de sua luz. Mas não depende. Eu sou minha própria luz e faço brilhar meu próprio Amor. Eu Sou. Porque sei o que é o amor e ainda guardo em mim a grandeza e a beleza da vida e uma capacidade imensa de amar e entregar esse amor sem honorários...

Maria
Enviado por Maria em 15/03/2025
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