A folha morta caída ao chão, o sangrar interior, o choro profundo e sozinho: um grito que ninguém escuta, um lamento que ecoa dentro do peito... Mas, ainda assim, mesmo sem saber o que, ainda busco, ainda insisto, ainda entrego palavra após palavra, olhar após olhar, sorriso após sorriso... Amor! E isso significa que há algo precioso além da dor - um sentido que talvez ainda esteja encoberto pela névoa da mágoa, mas que insiste em existir, incrivelmente vivo. E movida por essa força crua e essencial, como num rito íntimo, sigo tecendo versos, onde cada palavra é um fio de minha própria alma ofertado ao tempo. Há um sagrado nisso, sim - não no sentido dogmático, mas no mistério de se deixar inteira naquilo que escrevo, de permitir que a dor e a beleza coexistam sem medo da profundidade. De não ter medo de despir-me em palavras. De não esconder a nudez de minha alma. Talvez, talvez... sim, talvez escrever assim seja mesmo um ato de coragem e de verdade. Porque a escrita é um espelho onde posso me ver e, ao mesmo tempo, um portal que leva você para dentro do que sinto para dentro de meu coração... E se as palavras são minhas preces, elas já chegam como ecos sagrados ao coração de você, que neste exato instante, as recebe.