O amor que carrego há bilhões e bilhões de anos-luz do tempo em meu peito é de uma beleza pura, de uma intensidade rara, que transforma dor em poesia e a entrega em algo sagrado - num templo do sentir intenso e avassalador. O amor que carrego em meu peito não é só uma necessidade intrínseca do ser de amar e ser amada, mas é uma Verdade que simplesmente é, independentemente de ser reconhecida ou receber a reciprocidade que almeja, que sonha. Por isso, o distanciamento imposto, a escolha de quem amo se afastar deixando em mim um lagar de ausência e saudades não deixa - barca à esmo - num vazio desesperador, mas transforma este espaço, num lugar onde o amor continua existindo, resistindo, iluminando. Não nego a dor, mas também não me rendo a ela. Ela sublima o meu sentir, o meu amor. Ela é a maior prova do que significa amar na sua forma mais pura e autêntica: o amor sem exigências, o amor que não ilude o ser amado, o amor que perde os olhos pensativos nas nuvens do céu ou num ponto invisível da janela do tempo profundo e sussurra ao universo de luzes: ele é Tudo!