Almas que não se despedem
Há uma lágrima que não cai,
fica presa na garganta,
um rio silencioso correndo pra dentro,
onde a saudade desaba em segredo
pelas beiradas do peito.
Queria te ver…
Atravessar a cortina fechada,
tocar teus olhos
na janela do tempo profundo -
olhar o rio pelos teus olhos -
e encontrar teu riso escondido
no canto morno da manhã.
Mas só o silêncio me responde -
eco surdo da ausência,
brisa fria na moldura vazia
onde o amor ainda dança,
mesmo quando os olhos se fecham.
Solidão nem sempre é solitude…
É estar só,
mas sentir o coração saltar,
feito pássaro inquieto,
entre os cílios e o infinito.
Porque há coisas
que nem a distância apaga:
o toque invisível de quem amamos,
a luz que permanece
quando duas almas, ainda que longe,
jamais se despedem.
Maria
Enviado por Maria em 23/03/2025