Nem só culpa,
nem só castigo.
No espelho quebrado do tempo,
há mais do que sombras e ruínas.
Há raízes,
profundas, torcidas,
presas no solo daquilo que foi,
daquilo que ensinaram sem perguntar.
Mas há também asas,
mesmo que ocultas,
mesmo que pesem no dorso da história.
O que se repete pode ser interrompido.
O que se aprende pode ser desaprendido.
O que se feriu pode ser curado.
E entre o peso e o voo,
há um caminho:
o da escolha,
o do olhar para dentro,
o da mão que antes fechava-se em punho
e agora aprende a tocar sem ferir.
Ao meu pai, que partiu com essa mão que aprendeu a tocar sem ferir.