Sopro a canção de dentro.
Assim, assim: leve, profundo,
como uma vela soprada pela alma,
entrelaçada com o tempo e o amor.
O amor num sopro de luz.
Como numa travessia,
de um lado à outro
da ampulheta do tempo,
de um lado à outro
dos meus abismos.
Sim, o tempo escorre
debaixo da areia
enquanto o amor
desliza neste silêncio
do meu para o teu coração.
Sente!
Consegues sentir?
Há música em meu sopro
que respira o sagrado,
no navegar da alma.
Que chegue a ti
este raro canto do dia,
assim, assim:
silenciosamente,
suavemente -
no ritmo da minha vela,
no tempo do meu coração.