Com dedos de silêncio percorro
a liturgia do poema,
em busca de sua espiritualidade
densa e melancólica.
Mergulho na tessitura rítmica -
alma antiga - que medita a cor do céu,
a transcendência cerúlea
que floresce o sagrado
na pureza da palavra.
Teço fios de esperança à aridez,
à desolação dos rituais fúnebres,
à concretude do fim.
Lábios repetem, baixinho,
ecos de solidão,
enclausurados
na pureza do recolhimento,
no destino traçado
com fé silenciosa
e contemplativa.
Brumas vestem o dia
que parte —
assim, assim:
embalsamado
em beleza e tristeza,
descerrando a cortina
do palco da vida
com delicada dor.