Não sei acender velas
diante um abismo silencioso.
Não iluminariam minha escuridão
que é toda profundidade,
contemplação e angústia
das belezas de dentro.
Porque tudo que é nosso pode doer,
mas tem a beleza da honestidade
e a certeza de que somos o que somos -
sem negar o absurdo,
sem rasurar o peso, o fardo,
nem cobrir com máscaras
o imanente do espírito.
Só sei viver profundidades
e nelas sou, assim, assim:
tão Maria que a vida arde existir.