Se me beira o absurdo,
se sou meu sopro e altar,
meu poema beira
o sagrado do inominável -
essa ausência que se preenche
de presença essencial.
Como é possível ser
Tudo e Nada
ao mesmo tempo?
Quantas vezes naveguei,
barco sem prumo,
em meu niilismo existencial?
Quantas vezes
pelas vagas do tempo
me deixei levar
qual canoa desvairada de si,
solta - qual nau revolta
em mar de plácidas águas?
Vivo o contraditório,
me refaço no avesso
e por isso sou
meu próprio paradoxo -
feito carne e verbo:
verso e anverso...
Se me beira o absurdo,
se sou meu sopro e altar,
sou também teu enigma -
que canta e se desfaz
em um poema infindo...