Maria
Prosa e Poesia
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Textos

Nau Revolta

Se me beira o absurdo,

se sou meu sopro e altar,

meu poema beira

o sagrado do inominável -

essa ausência que se preenche

de presença essencial.

 

Como é possível ser

Tudo e Nada

ao mesmo tempo?

 

Quantas vezes naveguei,

barco sem prumo,

em meu niilismo existencial?

Quantas vezes

pelas vagas do tempo

me deixei levar

qual canoa desvairada de si,

solta - qual nau revolta

em mar de plácidas águas?

 

Vivo o contraditório,

me refaço no avesso

e por isso sou

meu próprio paradoxo -

feito carne e verbo:

verso e anverso...

 

Se me beira o absurdo,

se sou meu sopro e altar,

sou também teu enigma -

que canta e se desfaz

em um poema infindo...

Maria
Enviado por Maria em 06/08/2025
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