Uma prece feita na penumbra,
um sussurro da alma -
como ave que esvoaça ao ocaso,
mas que atravessa as sombras
em direção ao sagrado
e encontra abrigo no silêncio do altar.
A travessia da mágoa
que vai morrendo
ao fulgor que permanece -
sem cânticos, sem liras,
só com o pulsar das ausências,
o tremor do mistério.
Os pés que caminham
do temor à graça,
das brumas ao êxtase
da busca eterna.
É quando a noite
não é mais palco,
não é mais cenário,
mas é a metáfora
da experiência interior
onde a alma se desenha
em movimento,
ajoelhada, olhando para o alto -
embevecida de saudades,
em humildade e entrega devocional
ao divino que mora em nós.