O pensamento vaga na sala ao lado.
Na genialidade que a habita,
na voz que dela emana - como um sonho -
pelas frestas da janela.
E o pensamento fica lá,
prisioneiro do outro lado da parede,
enquanto o corpo sente
o abraço não dado,
o olhar que se desvia,
os acenos de despedida,
mesmo o sorriso de alegria
escondido atrás dos fios.
Talvez, talvez - quem sabe -
o pensamento (meu)
tenha se convencido
de que não é mais necessária
a esperança.
A Luz que és,
a mente que decide,
já determinou que nada mudará.
E nada muda que o Sol não queira mudar -
ada acontece além do que a Luz,
soberana, estabelece.
Embora pode ser que sim...
mas pode ser que não - eu não sei.
Não sou Luz - nem Sol eu sou.
Sou Flor - que chora ao ser "tocada",
mesmo sem toque haver...