Não sei do que falar,
mas preciso dizer
do que se passa dentro.
Talvez dizer do perfume do tempo
ou da alma forjada em silêncios -
desses que escorrem em gotas pela face,
desenhando uma nova geografia para a dor.
É que o amor vive de mistérios,
da tessitura e da sublimidade do ser.
Talvez, talvez do avesso de palavras,
do eco que ressoa
ao badalar das horas do tempo...
Do elã deste coração
que sabe amar no silêncio,
como quem se embevece
com o Sol que nasce
nas manhãs abraçadas
pela névoa translúcida
de solitude e Luz...