Hoje eu sei... hoje... vejo...
As tuas verdades, teu viver -
sempre lutando
bravamente contra
e se distanciando do amar -
me mostram:
meus naufrágios não tem mais cais.
Continuo sendo
navegadora de perguntas,
vivo do todo de suas angústias.
Cultivo campos de sem respostas
e colho infindas esperas
no tempo do tempo
que o calendário da parede
nem ousa mais marcar...
Por isso, navego absurdos
e tenho - agora -
mais medo é de mim,
que me perdi em meus pra dentro
e talvez não consiga mais ver
a verdade riscada no tombadilho
da trapeira naufragada do meu barco:
não há lugar neste teu cais -
sigo sem o acesso ou permissão -
para o meu amor aportar.