Faço inventário de minhas laudas:
tantas tristezas, tantas,
como rios que se perdem nas margens
sem nunca deixar de correr pelos cílios...
E tanto amor…
em cada pétala de rosa
das minhas pausas,
no sopro das notas
que toco embevecida de sentimento.
No fosso da alma,
o perfume dos sentidos -
melros de flores e cores,
cartas intermináveis -
cuja única missão é entregar amor.
Mas também guardo auroras:
o silêncio das manhãs que nascem
na ponta dos dedos,
a esperança que insiste
em florescer nos abismos,
e a chama discreta
que me reacende
quando penso no amanhã.
Inventário de mim:
dor e luz,
ferida e canto,
naufrágio e voo.
Tudo cabe nestas páginas,
até o que não sei dizer:
o rumor do eterno
se anunciando em cada verso,
como quem diz num sussurro:
- “a vida é também recomeço".