espia triste o passarinho da gaiola.
seus olhos fixos, parados,
contemplam o nada - refletindo solidão...
onde a água no pote de vazios?
onde as mãos com migalhas de pão?
cala o canto, a pequena Ave Dourada...
asas caídas, penas doentes, desbotadas...
olha triste, o silêncio da hora anterior...
na pálida face, descem laivos - lágrimas de dor.
a ti não importa a dor deste passarinho?
é pedra e ferro o que compõe teu coração?
deixas preso, inaninado, quem canta pra alegrar tua alma?
entregas à dor - sem alimento - quem cativaste com devoção?
- merecias tu, a fome, as correntes e as grades desta prisão!