Não sou guardiã de medos,
nem solidão das pedras que assustam.
Sou do terreiro das nuvens,
território de luzes e estrelas.
É lá que me achego às auroras boreais
e galáxias nebuladas de chamas de viver.
Não me assusta a solidão das pedras,
nem me amedronta a solitude do viver.
O que me assusta - e isso sim causa vertigem -
é a ausência das palavras,
o silêncio imposto, a escravidão do tempo
que passa tão célere, que o minuto
em que falo e escrevo já deixou de existir...