Se nosso tempo habita
a fugaz solidão
que nós mesmos criamos
e dela não há fuga,
o que fazer para conquistar
a eternidade do instante vivido?
Mesmo a audácia do ponteiro,
mesmo as entranhas do tempo
avassalando seu curso
numa imposição dolorosa,
como eternizar aquele momento
em que a areia alcança a fronteira
entre o território de cima e de baixo
de minha ampulheta?
Queria parar o tempo
e permanecer
na eterna contemplação
do instante vivido.