
Me calo diante da grandeza
das asas molhadas pelo choro
e as vestes repudiadas de dor...
Sei que choro por quem não ouve meu choro,
por quem o coração se queda ao silêncio profundo...
Sei que choro por dores que não são minhas,
mas que me afogam... na mutualidade do amor.
Choro por tristezas que me afundam
num denso mergulho na chuva em meu peito.
Sim, há chuva em meu peito
que ama à ancestralidade e à eternidade,
afogando-me o ventre de palavras...
Quedando-me em profundo silêncio,
espelho de um poema triste.
Imagem: Aurora, lendo o poema...