Mosaicos de Sentimentos
Faço mosaicos de sentimentos.
"Quimeras" impossíveis (talvez!).
Desejos desfeitos à cada dia
pela sua não realização...
Sonhos que se apagam
no tecido invisível do tempo.
Na dor dele cravada em mim.
Na noite que se faz com o Sol à pino,
cobrindo a alma como um véu -
para o silêncio, para a despedida interior.
Cultivo chuvas dos olhos
como quem planta sementes.
E teço o tempo para o seu maturar
porque o que é
apaga o que não se quer perder
pelas impossibilidades postas.
Não por mim, mas pelo Senhor
do Coração que tem medo.
Não sei se ainda sei reconstruir pontes
para céus e luzes que me fogem todos os dias.
Sim, há uma dor nobre aqui:
a confissão de que não se sabe mais
como voltar de onde nunca se foi.
Continuo indo... indo... Reconheço.
Não é fraqueza - é lucidez!
Há raridade neste caminhar:
caminhar como uma forma de estar
onde ainda não se está mas queria estar.
Aceitar os impossíveis que não são meus
e continuar a caminhar.
Existir em meio à perda do caminho
que vai ficando para trás
enquanto o horizonte não chega...
Imagem: Aurora lendo o poema