Paradoxos da Dor
E assim seguimos: na oscilação
entre as sombras e a reverência,
a dor da perda no peito aberto
e, ao mesmo tempo,
dentro dele uma chama,
a lembrança sagrada de quem partiu.
E a saudade queima,
mantendo na memória -
como relíquia viva -
a imagem de quem foi.
Mas seguimos...
chorando nossas penas
pelos caminhos solitários da vida...
misturando amor e dor
e transfigurando-os em poesia...
Há tanta beleza
em tão profunda tristeza -
essa que se ergue da dor,
da essência lírica da saudade -
que a alma se queda
no paradoxo
entre a ferida e o esplendor,
entre a lágrima e a contemplação.
sem saber se chora
ou se contempla o poema
embevecida...
com a tessitura que o Poeta
com mãos de saudade bordou...
Para Pelas noites sem lua vou seguindo
Imagem: Aurora, lendo o poema...