Maria
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Textos

Cartas de Saint-Michel

Saint-Michel, 13 de setembro de 1989.

Querido Joseph,

Sinto falta de ar, de respirar, de falar. De extrapolar os meus pra dentro em palavras que não dão conta do que preciso dizer, mas que permitem que eu mesma visualize minha alma em constante ebulição.

Às vezes tenho medo... de ir, de ficar, de sobrar... de partir para outros universos e vidas sem ter vivido o sonho mais lindo. Também tenho medo de ter medo porque precisaria voar por cima dele para ser eu como sou...

E quem sou? Às vezes, me pergunto com tanta franqueza que eu mesma acredito ainda não saber. No entanto me conheço toda.

E por isso sei: precisava chorar, derramar lágrimas pela dor da ausência, de olhar ao redor e ouvir somente o som do calor que sopra em minha direção.

Olhos ardidos, soluços guardados nesses nós dentro do peito... porque você não está aqui... não pode tocar-me, não sinto seu abraço quente, seu corpo grudado no meu. Não conheço o sabor do seu beijo, não posso olhar em seus olhos - não os vejo, não ouço a sua voz.

Apenas escuto os seus sinais... cores e luzes que dançam sobre minha face - fotografias que me falam de sua presença distante, seu toque em meu espírito, minha alma nimbada de estrelas e dedos de piano e violino.

Com a saudade de tantas almas antigas dentro do peito. Com a saudade ancestral e eterna...

Tua Marie, que luta para continuar a viver, para não se entregar ao morrer... para que outra vida chegue logo e seja possível o que hoje não o é - viver...

 

 

Maria
Enviado por Maria em 17/09/2025
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