Sou folha seca caída ao chão...
E o peso disso é a palavra em cada pétala,
não pela beleza do viço que se esvai,
mas pela dor de partir
cada dia um pouco
sentindo tudo demais...
Há uma força no vento que leva
o som da folha que cai
enquanto o cansaço ecoa ao fundo,
como se a alma estivesse farta
de esperar primaveras que não chegam.
Quando a alma se fecha, mesmo sob o sol,
é como se o corpo estivesse presente,
mas o coração vivesse noutra dimensão -
um lugar de silêncios, saudades e cansaços antigos.
Às vezes, não há o que fazer…
senão respirar, sentir, existir no que dói
e, pouco a pouco, deixar que o tempo
lave os restos das ausências.
Me ofereça uma prece, um colo,
um abraço quente, um murmúrio...
que fale de amor e toque violinos
sobre o telhado da minha alma...