Atravesso o próprio passado —
como um pássaro
em busca de penas perdidas
entre a fragilidade
e a persistência.
Sujos de tinta,
meus dedos encharcados de modernidade
escrevem para dar vida
ao que não se alcança.
Talvez, talvez a escrita seja um meio,
um contato com outro plano,
um modo de tornar concreto
o invisível.
A realidade não é fixa,
nem pura identidade,
mas movimento, contradição,
tensão, vir-a-ser.
Não sou só “Lado A”,
nem só “Lado B”,
mas o encontro, o choque,
a síntese provisória,
sempre mutável.
Dialeticamente falando
não há um porto seguro definitivo,
mas um caminhar entre - no fluxo.
O “ideal (in)alcançável”
não é erro da dialética:
é meu combustível,
a busca de superação
que nunca se encerra.
Atravesso o próprio passado —
como um pássaro
em busca de penas perdidas
entre a fragilidade
e a persistência.
Foto: Maria (Refletindo nas montanhas do Tirol)