Venho de onde pendem as dores,
as asas rotas,
fatigadas e fustigadas
pelo voo da travessia.
Ainda trago
o sangue vivo dos longos voos
salpicado em minhas penas
machucadas pelo tempo.
As limpo pacientemente com o bico
enquanto escorrem sentimentos
na lousa vazia...
Se posso pousar ao teu lado
ainda que escuro?
Estender-te a ajuda
que estás a procurar –
mesmo eu sendo o teu Caos?
Também tenho nas asas
o desenho dos cansaços
e da solidão,
mas ergo as esfarrapadas asas
em busca do voo
enquanto teço metáforas
em meu triste
e incompreensível canto...