Maria
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A Dor da Perda

Não existem palavras, línguas, gestos ou mesmo pensamentos capazes de expressar a dor da perda.

Ela é tão profundamente cruel que fere a alma com precisão e desmedido esmero —

corta lenta e impiedosamente, com o lado cego da faca.

 

A dor é fenomenal, incrivelmente dor, extraordinariamente dor, fatalmente dor.

É dor, dor, dor — somente dor.

E não cede, não se acalma, não concede trégua.

A alma se contorce, revolve-se, chora, berra, geme em lamentos surdos

que tomam o corpo, que o fazem cambalear e entontecer o espírito.

 

A dor da perda não tem som, nem voz;

ela invade o âmago do ser de modo silencioso e cruel,

fazendo doer e adoecer o corpo,

massacrando a alma a tal ponto que tudo ao redor perde o sentido.

Tudo.

Tudo perde o brilho da vida.

 

Os olhos olham, mas nada veem.

Os ouvidos ouvem, mas nada escutam.

Os braços caem, exaustos, sem sentir amparo,

sem ouvir sequer um sussurro de compreensão.

Somente o gosto do sangue da dor

é percebido no fundo do coração — que sangra,

falece, e se afunda no pó da terra.

 

E tudo vira dor — dor profunda, cortante,

como o fio frio de uma navalha.

Os sentidos perdem razão de ser.

Robotizamos o corpo e caminhamos:

de lá pra cá, de cá pra lá,

perdidos, anestesiados, atordoados,

completamente esquecidos de nós mesmos.

 

Esquecidos de tudo e de todos,

menos da dor que rasga, dói e arranha o coração

até o sangue jorrar em lágrimas profusas

e gritos inaudíveis.

 

A dor da perda cala fundo —

faz sepultura na alma,

onde desejamos nos enterrar,

em silêncio absoluto,

em escuridão infinda,

em adormecer eterno.

 

Faz desejar a morte, o fim de tudo —

inclusive de si mesmo —

apenas para calar...

a dor.

 

Não existem palavras que definam a intensidade da perda.

Ela é tão completamente dor

que perdemos até a definição do que sentimos.

Nada mais importa.

Nada.

 

A dor da perda é pesada demais.

Impossível de ser carregada sozinha.

 

E por isso, por tudo isso,

havemos de buscar forças para suportá-la —

por mais profunda, pungente e cruel que seja.

Havemos de nos resguardar da dor,

de acordar e lutar para viver,

mesmo com a alma em soluços,

mesmo que o espírito, anestesiado pela dor,

perca o desejo de continuar.

 

Havemos, enfim, de nos acolher no alento do amor —

porque só ele, o amor,

torna possível suportar,

por ele, com ele,

e nele, permanecer.

 

De meu texto

A dor da Perda II

Maria
Enviado por Maria em 12/10/2025
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