Atravessa na noite este pulsar de uma oração terrena -
um sopro de angústia que nasce do chão,
dos tropeços da fé que não sabe como continuar.
E sei que preciso seguir:
mesmo com os pés feridos,
as mãos vazias (que partilham, cotidianamente,
Luz e Amor).
Sussurro a dor -
como se fosse uma confissão de humanidade
e, ao mesmo tempo,
um gesto de resistência silenciosa.
Atravessa na noite este pulsar
de uma voz que queria calar e não consegue,
que sofre pela não reciprocidade,
que silenciou para ajustar a cadência, o ritmo,
buscando fôlego para a alma que fala
com a força de um vulcão contido -
na alquimia,
na resistência dessa confissão de amor,
desse grito silencioso que atravessa a noite,
desse fogo absurdo que transforma a dor em versos
enquanto lapida a alma pela própria existência.
Atravessa a noite
este pulsar de uma oração terrena -
um sopro de angústia que nasce do chão,
dos tropeços da fé por não saber como continuar.