Ventos uivam nas planícies -
ondulam os trigais do tempo,
para a partilha do pão, o cheiro das tílias
nos olhos flamejantes de sonhos.
Ouço o entrecruzar das luzes
nas colinas da alma,
as águas do temporal que se aproxima
pelas frestas e brechas do tempo.
Os trovões já rimbombam a mente...
as chuvas já descem pelos olhos...
as pedras já se cristalizam no canto dos cílios...
no clarão inefável que se segue
ao faro de catástrofes interiores.
É que a alma já se conhece em seus pra dentro...
e sabe que o troar das horas
deste lúgubre anoitecer antecede tempestades
nos cantões distantes e profundos da alma...