Maria
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Textos

Rastejo de Melancolia

Também já pensei que sentir a vida era vivê-la.
Mas viver vai além das minhas emoções.

Às vezes - às vezes - morri em algum lugar dos meus pra dentro,
mas permaneço viva, alma errante, pelos caminhos do tempo.

É quando o mundo se faz pequeno
e as coisas se tornam imensas -
como o universo dentro dele -
que as pequenas pedras do caminho
se erguem, quase intransponíveis.

Então, a alma se enlaça em si mesma,
num abraço solitário e dolorido,
e a música da vida se cala
em pausas infindas, penumbradas de lágrimas.

Sim, eu sei da sabedoria do vento que nunca para,
mesmo diante dos obstáculos,
mesmo no silêncio da caminhada...

Mas - ahhh, mas... -
meus braços continuam vazios,
meu corpo não tem onde se aninhar,
e minha alma, esgotada de brumas,
rasteja - pássaro sem asas -
entre acordes melancólicos,
sustenidos fúnebres,
soprando tempestades
nas maresias e ventos do dia.

Maria
Enviado por Maria em 25/10/2025
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