Maria
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Chama Antiga

Eu pensei que a ânsia de amar já houvesse sarado.

Pensei que você já me amasse.

 

Quando o coração aprende a amar,

a dor primeira se cala —

e nasce outra dor, nova, inteira:

a de entregar o amor à pessoa amada.

De estar perto, junto, dentro.

 

A dor de querer amar

cede lugar à ânsia de se dar.

E eu pensei que você já tivesse chegado a esse segundo estágio,

o do amor verdadeiro — aquele que silencia o desespero.

 

Mas vejo que você ainda luta contra o sentimento,

repete o mesmo movimento de busca e fuga,

de dor e carência,

como quem não reconhece a própria alma.

 

Tudo o que fizeste —

os gestos, as presenças na janela do tempo profundo,

as palavras silenciosas que só quem ama compreende —

tudo isso já dizia que você ama.

Mas você não se escuta.

E o que te move, ainda, é a ânsia de amar,

não o amor em repouso.

 

Eu, ao contrário, encontrei a paz de me saber.

A paz de reconhecer este amor como eterno,

como chama que ultrapassa a vida e se prolonga na luz.

Reconhecer-te como alma gêmea,

chama antiga,

eco da eternidade em mim.

 

E mesmo ferida pelas tuas palavras e ausências,

eu continuo te esperando.

Porque sei: sem você, eu não morro —

mas sem você, não tenho alegria para viver.

 

O amor tem dois lados.

Amar sozinho é um eco que se apaga.

Eu quero te entregar esse amor,

Essa é a meta, a sina, o destino da minha vida:

amar-te e te entregar amor.

 

Maria
Enviado por Maria em 25/10/2025
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