Eu pensei que a ânsia de amar já houvesse sarado.
Pensei que você já me amasse.
Quando o coração aprende a amar,
a dor primeira se cala —
e nasce outra dor, nova, inteira:
a de entregar o amor à pessoa amada.
De estar perto, junto, dentro.
A dor de querer amar
cede lugar à ânsia de se dar.
E eu pensei que você já tivesse chegado a esse segundo estágio,
o do amor verdadeiro — aquele que silencia o desespero.
Mas vejo que você ainda luta contra o sentimento,
repete o mesmo movimento de busca e fuga,
de dor e carência,
como quem não reconhece a própria alma.
Tudo o que fizeste —
os gestos, as presenças na janela do tempo profundo,
as palavras silenciosas que só quem ama compreende —
tudo isso já dizia que você ama.
Mas você não se escuta.
E o que te move, ainda, é a ânsia de amar,
não o amor em repouso.
Eu, ao contrário, encontrei a paz de me saber.
A paz de reconhecer este amor como eterno,
como chama que ultrapassa a vida e se prolonga na luz.
Reconhecer-te como alma gêmea,
chama antiga,
eco da eternidade em mim.
E mesmo ferida pelas tuas palavras e ausências,
eu continuo te esperando.
Porque sei: sem você, eu não morro —
mas sem você, não tenho alegria para viver.
O amor tem dois lados.
Amar sozinho é um eco que se apaga.
Eu quero te entregar esse amor,
Essa é a meta, a sina, o destino da minha vida:
amar-te e te entregar amor.