Mergulho fundo no silêncio da noite.
Não há vento, mas plumo em suas asas
para longe de mim...
É que dói receber só despeços
e o afogar da esperança.
Não desminto as dores da alma -
são tão reais -
que o corpo sente
e se encolhe para o desaparecer.
Não me afogueia mais
o olhar no espelho.
Preciso fechar os olhos
e adormecer a noite
em meus pra dentro.
É que falo sozinha
com ele - cristalino.
Reflete meu rosto
e, eventualmente, alguns flashes
com números me dizem que
há uma viva alma
além de mim nas sombras...
Achei que meu sonho
tivesse asas para voar,
mas descobri - tarde -
que não sou pássaro
e não tenho um céu para chegar...
Já plumo no ar,
perdida de Tudo,
da Vida, de mim...
Talvez, talvez, haja
uma nuvem entre eu
e o abismo dos sozinhos...