Há sempre uma lucidez dolorida em cada verso.
Percorro as linhas que se movem no concreto,
mas me prendo às entrelinhas -
fronteira e fosso de palavras
que habitam o fundo d'alma.
Ouço o timbre da voz que canta
nos flashes de luz e cor que me tocam a face
no espelho da Vida.
Há sempre um poema que brota dessa pausa -
como fosse o retomar do fôlego depois da dor.
Olhar atento, coração num pulsar de amor,
contemplo a vulnerabilidade, o exílio interior,
e a lucidez poética de cada mergulho em si.
Há um caos envolvendo o sentir,
um medo ancestral,
um impacto sobre o meu peito -
como se houvesse uma humanidade inteira
neste pulsar da dor,
na luz que emana em meio às sombras,
no silêncio e na vulnerabilidade
da alma do Poeta do Amor.