Não houvesse o acreditar,
não houvesse o coração
que ainda crê no encontro,
mesmo que ele exista
apenas na memória e no sonho...
calaria a Voz no Deserto,
A Cotovia Ardente de Luz.
Os dedos de cinzel da alma
não buscam harmonia, lapidação -
só querem falar: do que no poema se revela,
o sentir precioso, único, quase impossível -
o amor que o poema carrega na alma,
mesmo no respirar das pausas,
no silêncio das reticências,
na melancolia dos finais inesperados.
É em meus pra dentro
que nasce a palavra escrita -
entre luzes e sombras,
terrosa e terna, bruta e mansa,
a joia guardada no coração.
É quando a saudade vira abrigo,
o poema a celebração íntima
e a memória do que será a dádiva
que a Vida ainda vai nos entregar...