Maria
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Sempre há um culpado!

Dizem que a culpa era do gato. Sim, do gato! Ele conseguiu, sozinho, manter no chão, por horas, uma aeronave gigante - e todos os seus ocupantes – como se fosse mágica... ou feitiço!

Faltavam apenas cinco minutos para o voo (saída às 06h15) e a fila para o embarque... nada! Nem um milímetro de progresso.

Eu sabia: na lógica da ampulheta do tempo, que a conexão no Rio de Janeiro estava perdida. Só havia cinco minutos entre a minha chegada ao Galeão e a nova partida - e o meu avião continuava em Navegantes, Santa Catarina. Eu só não sabia por quê.

Foi quando veio o aviso pelo alto-falante:

- Voo cancelado. Pane na aeronave! - Bah!!!

Nos entregaram um voucher para café e pediram que aguardássemos. Nova previsão de voo: 11h:30. Exato! Bem esse tempo que você mentalmente calculou me separava de sair do solo: cinco horas e vinte minutos!

Poxa! Eu tinha levantado às 3h da madrugada em Blumenau, enfrentado estrada, chegado ao aeroporto, pronta para voar às 06h15 para o Rio, de onde seguiria para o Nordeste - Teresina, Piauí!!!! Tudo planejado, cronometrado... e, inacreditavelmente, ainda me encontrava presa ao chão! Que raiva!!!

Peguei o voucher e fui tomar café com a Maria Luiza e Diego – meus companheiros de infortúnio, agora mais consolados com uma xícara de café e um pão de queijo nas mãos.

Na segunda passagem pelo controle de segurança (raio-x) - já reclamando, claro, pois ainda não havíamos decolado - alguém brincou:

- A culpa é do gato!

- Ah, é? E o que o gato fez de tão absurdo para manter um avião gigante no chão? – perguntei, incrédula.

- O danado fez “aquele cocô” no avião!!! – relatou o funcionário. Está difícil tirar o cheiro!!!

Chegava a ser hilário se não fosse dramático. Nós, passageiros, nos olhávamos - literalmente incrédulos! Tentei imaginar um gato, minúsculo, causando um caos aéreo mundial. Um herói felino do impensável caos, silencioso, letal… e, claro, totalmente inocente, alheio à sua própria fama!

Ali estava eu, dividida entre o desespero pela conexão perdida, o cheiro imaginário do cocô e a ideia de que um simples gato tinha mais poder sobre minha viagem do que eu própria.

Sim, o avião não decolou. Sim, precisei me despedir de meus amigos às 09h, pois conseguiram outro voo para mim, via São Paulo, de onde finalmente segui para o Rio e, depois, para Teresina - chegando às 03h30 da manhã, onde, para piorar, me esqueceram no aeroporto.

Sim, o mundo parecia injusto para quem precisa voar e não consegue. Mas, no fundo, eu só conseguia rir. Porque só mesmo um gato seria capaz de transformar uma viagem para pesquisa de doutorado em uma odisseia olfativa - e a burocracia de um aeroporto em uma epopeia de humor, caos e… cocô.

 

 

Maria
Enviado por Maria em 02/11/2025
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