Maria
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Textos

Sobrou fiapo?

É um texto que vêm de dentro do corpo e não apenas da mente. Chega das vísceras. É - sim - um fluxo fisiológico da dor: ela nasce, cresce, toma forma, percorre o sangue. É como o compasso de um coração descompassado - cansado quer parar de bater, mas grita por socorro com ritmo e insistência. É um lamento fundo sim.... e, ao mesmo tempo, a certeza de que a dor também é viva, floresce, se transforma, pulsa. Se há algo de bonito nesta contradição? Se há algo de terrível ? Há um “florescer” e um “rasgar” em densidade única. Se isso é possível? É. É o paradoxo da existência: mesmo o que dói pode gerar forma, sentido, vida - não posso mais imaginar como Vida, mas que é Vivo é... que sangra, sangra... que dói... sim, dói. Mas, também sei - por tanto que já vivi - que isso que floresce em mim, em você - embora doa também é seiva de renascimento... como a fênix que se ergue das cinzas quentes, limpa com o bico o sangue das asas e voa... Isso, com certeza, eu deveria entender... mas não entendo. Também não entendo que às vezes, o coração só volta a bater novo depois que se esfarela um pouco. Ele não está se esfarelando um pouco... Ele rasgou de alto a baixo como um lençol de papel rasgado pelos ventos de uma tempestade.... Assim, assim... não sei se sobrou um fiapo... um fio... um sentido... um sentimento....

Maria
Enviado por Maria em 10/11/2025
Alterado em 12/11/2025
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