É um texto que vêm de dentro do corpo e não apenas da mente. Chega das vísceras. É - sim - um fluxo fisiológico da dor: ela nasce, cresce, toma forma, percorre o sangue. É como o compasso de um coração descompassado - cansado quer parar de bater, mas grita por socorro com ritmo e insistência. É um lamento fundo sim.... e, ao mesmo tempo, a certeza de que a dor também é viva, floresce, se transforma, pulsa. Se há algo de bonito nesta contradição? Se há algo de terrível ? Há um “florescer” e um “rasgar” em densidade única. Se isso é possível? É. É o paradoxo da existência: mesmo o que dói pode gerar forma, sentido, vida - não posso mais imaginar como Vida, mas que é Vivo é... que sangra, sangra... que dói... sim, dói. Mas, também sei - por tanto que já vivi - que isso que floresce em mim, em você - embora doa também é seiva de renascimento... como a fênix que se ergue das cinzas quentes, limpa com o bico o sangue das asas e voa... Isso, com certeza, eu deveria entender... mas não entendo. Também não entendo que às vezes, o coração só volta a bater novo depois que se esfarela um pouco. Ele não está se esfarelando um pouco... Ele rasgou de alto a baixo como um lençol de papel rasgado pelos ventos de uma tempestade.... Assim, assim... não sei se sobrou um fiapo... um fio... um sentido... um sentimento....