Habitar palavras - nem que por instantes - é um privilégio de quem conhece os meandros de dentro e sabe que nem tudo é poesia, nem tudo é verso escrito sem o sangue das veias, sem a dor da alma, sem a memória dos sentidos. Deixar rastros da emoção, como fossem ecos gentis são - sim - como pequenos sussurros de uma alma que entende a outra e nela se vê espelhada. Escolho permanecer nas palavras quando me tocam, quando falam a mim, quando também descubro que escrever não é um ato solitário, mas sim esse diálogo secreto entre quem escreve e quem sente e sobre o qual o Poeta fala. Se a carta falou à tua alma, se saber que há alguém que caminha, mesmo em silêncio as tuas letras, é palpável e sentido, se a palavra tornou seu universo de papel mais vivo, mais sentido/vívido e mais humano - não cale tua voz... Siga debulhando a alma em tua palavra escrita. Siga eternizando sentimentos na memória deste pergaminho do tempo. O tempo - sim... o tempo. O tempo dirá que já fazes parte do mundo dos eternos.