Uma dor funda pulsa no lado esquerdo do peito. Um grito silencioso do coração cujos olhos seguem os passos entrelaçados à Angústia gélida do não sentir, o voo na noite sempre em busca de um passado de felicidade. Uma dor funda fere os olhos ao constatarem que este coração não faz parte desse passado luminoso de felicidade e, também, não se encontra no presente que é de profunda dor, angústia e sofrimento. Onde estou eu? – pergunta, fulminado pela dor, o coração golpeado por um vazio que parece expandir-se como um abismo. Em que tempo e espaço posso existir? Num futuro que nunca chega? Num presente que não acolhe? Num passado que já não responde? Se o presente não traz felicidade e o passado feliz não está mais lá, onde mora o meu amor quando se expande para fora do meu peito? Em que território invisível habita quando se desprende de seu ninho e insiste em permanecer vivo, mesmo que sem destino, mesmo que sem resposta? Uma dor funda pulsa no lado esquerdo do peito.