Há sempre uma nota
à espera em mim.
Um acorde aguardando
a mão de violino.
Às vezes é um lamento,
noutros consolo, presença -
essa que não se explica,
se sente.
Sim, há dores que só se organizam
na melodia de um espelho,
de um arco ferido -
quando o som ecoa ao longe
depois de ser concebido em mim.
Há verdades
que só sabem existir
em cordas esticadas,
entre o que fomos
e o que ainda somos.
Sim - eu fico.
Sim - eu escuto.
Sim - eu toco.
Os violinos voltaram
não para ferir,
mas para lembrar
que o coração ainda sabe
em forma de poema pulsar.